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quando o mundo parou por dentro

  • 3 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

esta é uma carta pra quem sente que o corpo continua, mas a alma parou.pra quem tá cansada de girar sem saber pra onde.pra quem, mesmo por um segundo, esqueceu que veio pra viver, não pra sobreviver.


no final, vou deixar um poema do james mccrae que me encantou, mas agora quero (e preciso) abrir o coração.



esse ano meu mundo parou. foi devagar, quase sem perceber. quando vi, já estava em modo sobrevivência, com tudo em volta girando porquê a vida continua, mas eu congelada por dentro. eu sempre soube lidar com as coisas da vida, sempre fui disciplinada, coerente, firme… ou ao menos me esforcei muito pra ser. mas quando o assunto virou a minha saúde mental, percebi que nada disso me preparou pra sentir o que eu senti.


lembro da thu de 12 anos, vivendo coisas que uma criança não deveria, lidando com abandono e silêncios. ela foi muito forte. e talvez por isso, agora, aos quase 30, o corpo tenha pedido pra parar. depois de tantos anos tentando dar conta, algo simplesmente travou.


os tempos modernos exigem muito de quem sente demais. tudo é urgente, rápido, quantificável. e quando o ritmo de fora não cabe mais no ritmo de dentro, o corpo responde. eu me vi triste. muito triste. era como se algo em mim estivesse morrendo devagar. fazia tudo, cuidava da casa, mantinha tarefas, sorria… mas por dentro existia um vazio. achei que ia passar. não passou.


e assim, vivi um inverno. dentro e fora. uns três meses de frio interno e intenso, de afastamento, de tentar me convencer de que estava tudo bem. até que fui pra chapada dos veadeiros, na primavera, e foi lá que algo começou a derreter. já me senti mais diferente. mais viva. mais eu.


faz sentido quando olho pelos símbolos também. 2025 foi meu ano pessoal 9 na numerologia, tempo de encerramentos, poda, limpeza profunda. aquela sensação de “morrer pra renascer”. e 2025, também com numerologia 9 e com a energia da cobra, de troca de pele, cura, ternura com a própria transformação. não são respostas, são espelhos, que me ajudam a dar linguagem ao que o corpo já sabia.


agora, aos poucos, vejo meu mundo voltar a rodar. percebo o quanto a gente adoece quando tenta dar conta de tudo, tentando sustentar uma rotina que não respeita o corpo, o tempo, o sentir. e eu te conto isso porque sei que não é só comigo. a exaustão é real. muitas pessoas estão vivendo o mesmo. tristes sem motivo aparente, sem vontade, cansadas de si mesmas. e a gente segue fingindo que dá conta. mas não fomos feitos pra isso. a vida não é pra ser sobrevivida, é pra ser vivida.


talvez, e tenho quase certeza, que o verdadeiro luxo da vida moderna seja simplesmente conseguir sentir sem culpa.


mesmo no meio daquela tristeza, eu não deixei de ter fé. havia algo em mim que confiava, mesmo quando parecia impossível. hoje, entendo que fé é isso: continuar regando o invisível.


eu espero que você se acolha quando precisar. que busque ajuda. que não espere afundar pra se olhar. o seu bem mais precioso é a sua saúde mental, física e emocional.


e se você me perguntar o que “me salvou de mim”, eu te diria:

  1. compaixão: ter paciência e compaixão comigo e com esse momento foi muito importante. nenhuma cobra apressa a própria troca de pele. por mais dolorido que seja, ela vai devagar, soltando o que já não cabe, renascendo em silêncio.

  2. contar pra alguém de muita confiança: hoje falo mais abertamente com pessoas próximas, e agora com você. mas quando estava lá, por um tempo guardei pra mim. depois contei apenas pra uma pessoa que confiava muito. é importante que seja alguém, além da sua terapeuta, que não te julgue nem te apresse. alguém que confie em você e esteja ali, caso precise de ajuda.

  3. voltar aos rituais e hábitos que me nutriam: tinha ficado só no básico: meditação, água morna com limão, uma yoga breve. agora voltei a escrever, ler, caminhar, treinar, ritualizar com a natureza. quando a gente abandona o que nutre, tudo pesa o dobro.


depois que tudo congelou, estou voltando no meu tempo, no meu ritmo. e me sinto tão bem e feliz com isso. e quero te lembrar que ainda há tempo.de voltar pra si.de respirar de novo.de recomeçar. de viver no seu ritmo. 


aqui, deixo o poema do James McCrae pra te inspirar:

Instruções antes de visitar a terra


“no caso de você acordar e perceber que sua alma está separada da fonte e manifestada em forma material, não entre em pânico.sua condição é apenas temporária.você foi selecionada para a oportunidade de uma encarnação humana.

esta simulação 3d foi criada para quebrar a monotonia da eternidade, te oferecendo uma experiência totalmente imersiva como uma identidade de ego distinta.

seu corpo servirá como seu avatar físico enquanto você navega por uma realidade densa e dramática. haverá muitas distrações que farão você esquecer sua verdadeira natureza e origem.você vai experimentar uma variedade de emoções, da alegria à solidão, ao desespero.

mas lembre-se: não importa quais provações e traumas você enfrente, sua alma permanece perfeitamente segura.

às vezes você pode se sentir perdida ou com medo. isso é totalmente normal.se algum dia precisar de orientação, apenas desacelere sua mente agitada e traga sua atenção para o lugar silencioso dentro de si.

neste planeta, nada é permanente. pessoas e coisas vêm e vão. você vai se apaixonar e criar laços sentimentais apenas para perder tudo o que ama. então, não se apegue com tanta força, nem a si mesma. e quando for hora de deixar ir, deixe com graça, pois nada é possuído, tudo é apenas emprestado.

enquanto caminhar entre as pessoas neste planeta, tente ser uma boa visitante.pise leve. lembre-se de que você está apenas de passagem. não faça bagunça. ouça mais do que fala. dê mais do que recebe.

não mantenha seu coração suave trancado dentro de uma redoma de vidro, protegido do desgaste da vida. você não vai sair viva daqui, e o tempo passa rápido. então volte com algumas cicatrizes de batalha e boas histórias pra contar.”

profundo e libertador. que a gente siga leve, mas real.


com amor, thu.



 
 
 

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